terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

STF JULGA PEJOTIZAÇÃO QUE RETIRA DIREITOS TRABALHISTAS

Pejotização não é modernidade, é fraude!
Enquanto a Argentina estraçalha direitos no Senado, o Brasil assiste ao Judiciário pavimentar o caminho para a 'escravidão moderna' sob o manto da PJ

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Olha, não tem outro nome para o q
ue está acontecendo: é um assalto à mão armada contra o trabalhador brasileiro. Enquanto a gente olha para a Argentina, onde o Senado passou a faca nos direitos trabalhistas, aqui no Brasil a coisa é mais silenciosa, mas tão cruel quanto. A Procuradoria Geral da República (PGR) resolveu dar as mãos para o patronato e deu parecer favorável à tal da 'pejotização' irrestrita. Para quem não sabe, pejotização é o apelido bonitinho para uma fraude velha: obrigar o funcionário a abrir uma empresa de fachada para não ter que assinar a carteira. É o sonho de todo empresário sem escrúpulos e o pesadelo de quem precisa pagar o aluguel.

Na prática, o sujeito continua tendo chefe, tendo que bater ponto e cumprir metas impossíveis, mas na hora de receber, vira 'empresa'. E empresa, meu povo, não fica doente, não tira férias e não recebe 13º salário. Se você sofrer um acidente de trabalho sendo PJ, você é descartado como uma peça de engrenagem quebrada. Não tem seguro-desemprego, não tem FGTS e, quando a idade chegar, não vai ter aposentadoria porque o patrão não recolheu um centavo de previdência. É a desumanização total em nome do lucro máximo.

O que mais me indigna é ver que essa discussão está fugindo da Justiça do Trabalho, que conhece a realidade do chão de fábrica, para cair no colo do Supremo Tribunal Federal. E aí vem o nó na garganta: uma reportagem do UOL mostrou que quase metade dos ministros do STF são donos ou sócios de empresas. Como é que alguém que está do lado de quem contrata vai julgar com imparcialidade o direito de quem é contratado? O Código de Processo Civil é claro: juiz não pode apitar jogo onde ele tem interesse no resultado. Mas, pelo visto, para as excelências, a lei só aperta o calo de quem é pobre.

A desculpa esfarrapada é a tal da 'liberdade contratual'. Me poupe! Que liberdade tem um pai de família desempregado diante de uma multinacional que diz: 'Ou você vira PJ ou não trabalha'? Não existe conversa de igual para igual quando um lado tem o dinheiro e o outro tem a fome. A Justiça do Trabalho sempre soube disso e por isso é tão caçada por quem quer transformar o Brasil num grande canavial do século XIX, onde o trabalhador não é gente, é custo.

Não podemos aceitar que o STF transforme a Constituição em papel de embrulho para agradar o mercado financeiro. A solução não é 'modernizar' tirando direitos, mas sim fortalecer a fiscalização e garantir que o trabalho seja digno. Precisamos exigir que os ministros com conflitos de interesse se declarem impedidos de votar o Tema 1389. Se a gente não gritar agora, amanhã o seu filho não vai ter um emprego, vai ter um contrato de servidão digital. Acorda, Brasil: o progresso não pode ser construído sobre as costas de um povo sem proteção!

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