segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A LEI QUE AUTORIZA A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

No Afeganistão do Talibã, a agressão virou 'disciplina' e o silêncio do mundo é cúmplice.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Precisamos exigir que o Brasil se posicione contra 
O mundo está assistindo a um filme de terror em tempo real e muita gente prefere mudar de canal. O Talibã, aquele grupo que tomou o poder no Afeganistão e prometeu uma 'nova era', acaba de oficializar a barbárie. Eles emitiram uma 'Lei da Moralidade' que, na prática, dá permissão para maridos espancarem esposas e filhos. O critério? Pode bater, desde que não quebre ossos ou deixe feridas abertas. É de embrulhar o estômago de qualquer pessoa que tenha um pingo de humanidade.

Essa palhaçada trágica trata a violência doméstica como 'punição discricionária'. Ou seja, o Estado sai da frente e deixa o agressor livre para 'disciplinar' a família como bem entender. Se o sujeito exagerar e causar uma lesão grave, a pena máxima é de ridículos 15 dias de prisão. Isso num sistema onde a mulher precisa de um guardião masculino para denunciar o próprio agressor. É uma armadilha mortal montada para silenciar, humilhar e destruir a dignidade de mulheres e crianças em nome de uma interpretação distorcida da fé.

A gente vê isso acontecendo lá longe e acha que não tem nada a ver com a gente, mas o buraco é mais embaixo. O silêncio das grandes mídias aqui no Brasil sobre esse horror é assustador. Enquanto o mundo discute o 'apartheid de gênero', muitos por aqui estão mais preocupados com dancinhas de rede social. Esse silêncio é o que alimenta o monstro, porque a lógica do extremismo religioso e político é a mesma em qualquer lugar: controlar o corpo da mulher e usar a moralidade para esconder a opressão.

E fiquem espertos, porque o que o Talibã faz com armas na mão, tem muito político de extrema-direita aqui no Ocidente, inclusive no Brasil e na Argentina, querendo fazer com a caneta. Eles adoram esse papo de 'valores da família' quando, na verdade, o que querem é o retorno de um patriarcado violento onde a vontade do 'chefe da casa' está acima da lei e dos direitos humanos. Estão atacando direitos trabalhistas, perseguindo minorias e flertando com regimes autoritários que veem a mulher como cidadã de segunda classe.

Não dá para ficar apenas na nota de repúdio. A solução passa por uma pressão internacional sufocante e por uma vigilância redobrada aqui no nosso quintal. Precisamos exigir que o governo brasileiro use sua influência na ONU para condenar formalmente essa legislação e, no âmbito interno, fortalecer as redes de proteção às mulheres contra qualquer tentativa de retrocesso nas leis de violência doméstica. Não podemos aceitar que o 'disciplinamento' volte a ser desculpa para covardia. Quem bate para 'educar' só ensina o medo, e o medo não constrói sociedade justa.

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