| Regulação de plataformas não é censura, é responsabilidade |
Jornalista, analista político e colunista
O debate
sobre a regulação das plataformas digitais no Brasil tem sido frequentemente
obscurecido por uma cortina de fumaça retórica que classifica qualquer
tentativa de ordenamento jurídico como censura. No entanto, do ponto de vista
institucional e racional, o que está em jogo não é o silenciamento de vozes
individuais, mas a responsabilização de empresas transnacionais que operam sob
lógicas algorítmicas opacas, priorizando o engajamento — muitas vezes inflamado
pelo ódio ou pela mentira — em detrimento da estabilidade democrática.
Os críticos
da regulação costumam citar a liberdade de expressão como um direito absoluto,
omitindo que, em qualquer democracia consolidada, nenhum direito é ilimitado
quando fere a integridade física de terceiros ou as instituições do Estado. O
dado sobre a circulação de notícias falsas existe, mas o contexto de que as
plataformas lucram diretamente com esse tráfego de desinformação foi omitido.
Manter o
status quo do vácuo legislativo favorece exclusivamente as Big Techs, que
evitam custos operacionais de moderação rigorosa e potenciais sanções
financeiras. Ao olharmos para experiências internacionais, como o Digital
Services Act da União Europeia, percebemos que a regulação é uma tendência
global de proteção ao consumidor e ao cidadão. O objetivo pedagógico de uma lei
brasileira deve ser, portanto, estabelecer critérios claros para que a esfera
pública digital não seja um território livre para a manipulação financiada por
interesses econômicos ou políticos escusos.




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