quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CHEGA DE USAR A FÉ PARA FAZER POLÍTICA

Fé não é mercadoria e o povo não é bobo.
Enquanto discutem a moral alheia, a fome e a desigualdade continuam batendo na porta de quem menos tem.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

O que a gente vê hoje no Brasil, e aqui no nosso Maranhão não é diferente, é uma verdadeira indústria da fé sendo usada para empurrar goela abaixo projetos que só interessam aos poderosos. Estão usando o nome de Deus para validar o ódio, o preconceito e a exclusão social. É a velha tática de criar uma cortina de fumaça moralista para que ninguém perceba o que realmente está em jogo: o bolso do trabalhador e o desmonte dos direitos sociais que foram conquistados com muito suor.

Falam em família com a boca cheia, mas na hora de votar um aumento digno para o salário mínimo ou um projeto que garanta creche para a mãe trabalhadora, eles somem das sessões ou votam contra. Essa moral seletiva é uma ferramenta de controle das massas. É muito fácil subir no púlpito para julgar o comportamento do vizinho enquanto se ignora as filas quilométricas nos postos de saúde e a falta criminosa de saneamento básico nas nossas periferias. A religião deveria ser um abraço de acolhimento, não uma algema de opressão.

Aqui no Maranhão, a gente sente isso na pele de forma muito crua. Políticos que nunca pisaram no barro da Baixada aparecem em época de eleição com a bíblia debaixo do braço, jurando santidade e prometendo o céu. Mas cadê a política pública para a juventude negra que está sendo dizimada? Cadê a proteção para as comunidades tradicionais que perdem suas terras para o agronegócio predatório? A fé do nosso povo é coisa sagrada e não pode servir de trampolim para quem só quer manter o status quo e as regalias da elite.

Essa instrumentalização da religião serve estrategicamente para dividir a classe trabalhadora. Eles colocam pobre contra pobre discutindo pautas de costumes, enquanto os grandes conglomerados financeiros e os barões da terra seguem lucrando horrores. Enquanto a gente se desgasta em discussões vazias alimentadas por fake news de grupos de igreja, o preço do feijão sobe e o gás de cozinha vira artigo de luxo. É preciso enxergar que a verdadeira moralidade está na justiça social, na partilha e na dignidade humana, não no julgamento alheio sobre o que cada um faz da própria vida.

Não podemos mais aceitar que a espiritualidade seja sequestrada pelo marketing eleitoral mais rasteiro que existe. O meu questionamento para você, eleitor, é simples: onde está o projeto de governo real de quem só sabe falar de pecado? A solução para frear esse descalabro passa por cobrar propostas concretas para o combate à fome e pela separação real entre o que é fé individual e o que é obrigação do Estado. Queremos política de pão no prato, não de pedra na mão. Quem usa a fé para oprimir o próximo não segue o Evangelho, segue o próprio bolso.

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