quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

GASTO OU INVESTIMENTO? A POLÊMICA POR TRÁS DAS CONTAS PÚBLICAS

Política fiscal não é só número, é sobre pessoas.
Uma análise sobre como a estabilidade econômica depende de um equilíbrio real entre contas públicas e investimento no cidadão.

Por: Henrique Alvarenga
Jornalista, analista político e colunista

O debate público sobre a política fiscal brasileira é frequentemente contaminado por uma dicotomia rasa entre o fiscalismo rígido e o populismo desmedido. A estabilidade econômica, embora essencial, não deve ser tratada como um dogma isolado das necessidades da população. Para um país com as desigualdades do Brasil, o orçamento é a principal ferramenta de redistribuição de renda e justiça social, exigindo uma análise que vá além das planilhas de gastos nominais.

É comum a afirmação de que qualquer gasto público é inerentemente inflacionário ou sinal de descontrole. A qualidade do gasto é o que define o seu impacto na economia. Investimentos em infraestrutura, ciência e educação possuem um multiplicador fiscal elevado, o que significa que cada real gasto retorna para o Estado em forma de crescimento do PIB e maior arrecadação futura, fortalecendo a própria sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Ao focar exclusivamente no corte de despesas correntes, muitos analistas ignoram as desonerações fiscais bilionárias que beneficiam setores específicos sem contrapartida clara. A estabilidade real exige que o Estado tenha receitas sólidas e progressivas. O enfrentamento do déficit não pode recair apenas sobre o investimento social; ele requer uma revisão corajosa dos privilégios tributários e uma gestão da dívida que não sufoque a capacidade de reação da economia em momentos de crise.

A busca pelo equilíbrio fiscal é um dever institucional, mas deve ser pautada pela transparência e pela racionalidade, evitando o pânico artificial do mercado que muitas vezes serve a interesses especulativos. Uma política fiscal só é verdadeiramente estável quando ela consegue sustentar um projeto de nação que seja economicamente viável e socialmente justo.

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