Enquanto o Congresso tenta costurar uma saída honrosa para o vandalismo de janeiro, o cerco jurídico contra Jair Bolsonaro se fecha em um nó que nem a fé cega parece capaz de desatar.
Por:
Altair Inácio
Jornalista e Colunista
| A história não apaga digitais com canetadas parlamentares. |
O projeto de
anistia, embalado em discursos de 'vovôs e vovós injustiçados', é o cavalo de
Troia perfeito. Sob a casca de humanitarismo seletivo, esconde-se a urgência de
blindar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O cerco jurídico em torno dele não é
apenas uma sucessão de processos; é o desenho de uma arquitetura do crime que
envolve desde o desvio de joias cravejadas de hipocrisia até a trama rústica de
uma minuta golpista que dormia em gavetas nada republicanas. O 'capitão',
outrora impetuoso, agora se vê num xadrez onde cada movimento da Polícia Federal
o aproxima de um xeque-mate inevitável.
A narrativa
de 'perseguição política', tão martelada nos púlpitos e nas redes sociais,
começa a perder o fôlego diante da materialidade dos fatos. Não se trata de
cercear o pensamento conservador, como tentam pintar os arautos do caos, mas de
punir a instrumentalização da fé e do patriotismo para fins de ruptura
democrática. No Maranhão, terra de coronelismos que se reciclam, observamos com
atenção como as lideranças locais tentam equilibrar o apoio ao bolsonarismo com
a sobrevivência institucional, cientes de que o vento em Brasília mudou de
direção e sopra gelado para os lados da inelegibilidade.
O que assusta a cúpula do PL e os aliados de Bolsonaro não é o rigor de Alexandre de Moraes, mas a possibilidade de que o silêncio dos 'patriotas' presos se quebre diante da perspectiva de anos atrás das grades enquanto seus líderes desfrutam da liberdade em condomínios de luxo. A anistia é, portanto, um cala-boca institucionalizado. É a tentativa de dizer ao 'soldado' que ele não será abandonado, enquanto o 'general' estuda como salvar a própria pele nas instâncias superiores.
Ao fim e ao cabo, a história brasileira é pródiga em
perdões que geram novas feridas. Mas desta vez, a sociedade parece menos
disposta a aceitar a amnésia programada. O cerco jurídico a Bolsonaro é o teste
definitivo para as instituições brasileiras: ou o país entende que a democracia
não aceita desaforo, ou continuaremos a alimentar o monstro que amanhã voltará
a pedir anistia por novos pecados. A política não é para amadores, mas a
justiça, quando tardia, não pode se tornar cúmplice.




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