quarta-feira, 18 de março de 2026

COMO A MÍDIA TENTA CRIAR UM NOVO ANTISSISTEMA

Enquanto o governo foca em indicadores econômicos, a imprensa tradicional constrói pontes para a oposição através da descredibilização institucional.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

A mídia está tentando reescrever a história
diante dos nossos olhos.

O cenário político brasileiro vive hoje uma disputa de versões que ignora os avanços econômicos reais para focar em desgastes de imagem. Enquanto os números mostram uma redistribuição de renda crescente e a geração de empregos ganha fôlego, parte da grande imprensa prefere investir na construção de uma crise institucional permanente. Essa estratégia busca sufocar os resultados positivos do governo Lula, substituindo o debate sobre políticas públicas por uma narrativa de escândalos e suspeições sem provas concretas.

A descredibilização do Supremo Tribunal Federal (STF) funciona como a primeira peça desse tabuleiro. As tentativas de empurrar o impedimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não são apenas movimentos jurídicos, mas táticas de comunicação para desgastar os pilares de sustentação democrática. Ao atacar o judiciário, os opositores criam um ambiente de insegurança que respinga diretamente no Palácio do Planalto, forçando o governo a gastar energia política em defesas constantes.

O caso do Banco Master serve como laboratório para essa guerra de associações. A imprensa abre espaços generosos para lideranças de direita que tentam vincular crimes financeiros à figura do presidente Lula e de seus familiares, como seu irmão e o seu filho, Lulinha. Mesmo sem provas ou indiciamentos fundamentados, a repetição sistemática desses nomes ao lado da palavra corrupção cria uma memória afetiva negativa no eleitor, que passa a consumir a versão antes do fato.

A jornalista Andréia Sadi, na Rede Globo, personifica essa condução narrativa ao interpretar a crise do Master não como um problema de mercado, mas como uma crise do sistema. Ao afirmar que, para as pessoas, o sistema é o presidente Lula, ela desloca a responsabilidade de eventos técnicos ou heranças da gestão anterior para o colo do atual incumbente. Essa leitura subjetiva é entregue ao público como análise fria, mas carrega uma carga política que molda a opinião pública de forma silenciosa.

Essa construção midiática prepara o terreno para a ascensão do discurso antissistema, que agora tenta ser capturado por figuras como Flávio Bolsonaro. Ao apontar que a corrupção volta ao topo das preocupações, a mídia tradicional ignora propositalmente os avanços na segurança pública e na economia para validar a sensação de estafa da população. Assim, um político tradicional e com histórico familiar conhecido é vendido como a solução outsider para um problema que a própria narrativa ajudou a inflar.

O grande perigo reside na ausência de contraponto direto dentro desses espaços de grande audiência. Quando comentaristas de renome entregam apenas uma leitura dos fatos, sem apresentar as variáveis ou as responsabilidades de gestões passadas, o assinante é conduzido a acreditar que não existe outra explicação possível. Essa hegemonia de versões sufoca o contraditório e impede que o cidadão comum perceba as manobras políticas escondidas atrás de análises aparentemente técnicas.

O governo Lula precisa entender que a batalha não acontece apenas no Congresso, mas na tela do celular e no televisor de cada brasileiro. Esperar o período eleitoral para corrigir essas distorções de imagem é um erro estratégico que pode ser fatal. A associação antecipada entre governo e corrupção sistêmica, se não for combatida agora com uma comunicação agressiva e didática, se tornará uma verdade absoluta na cabeça do eleitorado antes mesmo das urnas serem abertas.

A solução prática exige que o governo descentralize sua comunicação e exponha as contradições dessas narrativas em tempo real. É necessário criar pontes diretas com a população para mostrar que o sistema que a mídia critica é o mesmo que está garantindo o prato de comida e o emprego. A educação política deve ser a ferramenta principal para desmontar o rótulo de antissistema usado por quem sempre viveu das estruturas do poder tradicional.

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