O escândalo do desembargador de Minas Gerais revela o esgoto da impunidade e o prêmio da aposentadoria compulsória.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
| Desembargador que soltou estuprador agora é acusado. |
A Polícia
Federal não bateu na porta dele à toa. O que está vindo à tona é um esgoto sem
fim: são sete denúncias, meus amigos. Sete! Tem desde sobrinho até
ex-funcionários, gente que mora até fora do país e que só agora teve coragem de
falar. O Conselho Nacional de Justiça finalmente se mexeu e afastou o homem,
mas a pergunta que não quer calar é: quantas outras decisões esse senhor tomou
para proteger gente da mesma laia dele enquanto o povo pobre mofa na cadeia por
muito menos?
O que mais
revolta o trabalhador que acorda cedo é saber qual é a tal da 'punição máxima'
para essa elite do judiciário. Se ele for condenado administrativamente, o
'castigo' é ser aposentado com salário integral. Isso mesmo que você ouviu: o
prêmio por ser um suposto abusador em série é ganhar férias eternas bancadas
pelo seu bolso, com conta bancária gorda e sem bater ponto. Isso não é punição,
é deboche com a cara de cada brasileiro que clama por justiça.
Esse
desembargador até tentou voltar atrás na decisão daquela menina de 12 anos
quando sentiu que a água ia bater no pescoço, mas o teatro não colou. Ele não
mudou de ideia por consciência, mudou por medo. Agora, com cinco vítimas já
depondo e o celular apreendido pela PF, ele está 'ferrado', como dizem por aí.
Mas estar ferrado para um desembargador ainda é muito confortável perto do
sofrimento de quem teve a vida destruída por ele.
Não podemos
mais aceitar que a lei seja um escudo para a perversão de quem está no topo. A
solução urgente é a reforma da Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN). Juiz que
comete crime hediondo tem que perder o cargo e a aposentadoria, sim senhor!
Lugar de criminoso é na cadeia, não em um resort de luxo pago pelo Estado. Até
quando vamos permitir que a toga sirva de esconderijo para quem deveria ser o
exemplo da moralidade?




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