Aprovação de verba para transporte gratuito de
estudantes na LOA 2026 expõe quem realmente trabalha pela base e quem só quer
colher os louros.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
| O Passe Livre é conquista do povo exigido pelo PSOL. |
A Câmara Municipal de São Luís finalmente deu o braço a torcer e aprovou, em segundo turno, o orçamento para 2026 com uma emenda que mexe no calo de quem lucra com a mobilidade urbana: o Passe Livre Estudantil. São 15 milhões de reais carimbados para garantir que o filho da trabalhadora não tenha que escolher entre a merenda e a passagem de ônibus. Mas vamos deixar uma coisa bem clara aqui: esse dinheiro não caiu do céu e muito menos nasceu da 'generosidade' do prefeito Eduardo Braide. Essa conquista tem digital, tem suor e tem a força de quem não se curvou ao sistema.
É preciso
fazer justiça histórica. Se hoje estamos discutindo o Passe Livre no orçamento,
é porque o advogado Franklin Douglas, do PSOL, teve a coragem de peitar a
burocracia e exigir na Justiça Eleitoral que o povo fosse consultado no
plebiscito de 2024. Enquanto muitos políticos de carreira estavam preocupados
em fazer dancinha para o TikTok e distribuir promessas vazias, houve quem
usasse o Direito para abrir a catraca. O resultado das urnas foi um grito
ensurdecedor que a Prefeitura não pôde mais fingir que não ouviu. O povo quer
transporte, o povo quer dignidade.
A desculpa
da 'falta de verba' caiu por terra. O texto aprovado já prevê a abertura de
crédito suplementar, o que significa que se os 15 milhões forem pouco, o
prefeito tem o dever legal e a ferramenta na mão para remanejar o dinheiro e
fazer a política pública funcionar. Não aceitaremos o discurso de
'responsabilidade fiscal' como máscara para a exclusão social. Responsabilidade
fiscal de verdade é garantir que o recurso público chegue onde o povo mais
precisa, e não apenas no asfalto que aparece em época de eleição.
Essa implementação 'gradual' que o vereador Raimundo Penha anunciou precisa ser vigiada de perto com lupa de aumento. Começar pelos estudantes da rede municipal é o óbvio, mas não pode ser o teto. O Passe Livre precisa alcançar todos os estudantes da rede pública que cortam essa cidade de sol a sol. A juventude pobre de São Luís não pode ser tratada como cidadão de segunda classe enquanto as empresas de ônibus continuam recebendo subsídios gordos sem entregar um serviço que preste para a população.
A pergunta que fica para o prefeito Eduardo Braide é simples: o senhor vai cumprir o que o povo decidiu no plebiscito ou vai tentar cozinhar o galo até a próxima eleição? O caminho prático agora é a transparência total no cronograma de implantação. Queremos o calendário no papel, com datas e critérios claros. A sociedade civil e os movimentos estudantis devem ocupar as galerias da Câmara e as redes sociais para cobrar que cada centavo desses 15 milhões se transforme em passagens no bolso do estudante. O direito de estudar começa com o direito de chegar à escola.




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