Como a comunicação direta e a gestão baseada
em entregas redesenharam o equilíbrio de poder na capital maranhense e
pavimentam o caminho para 2026.
Por: Henrique Alvarenga
Jornalista, analista político e colunista
| A estratégia digital que está tirando o sono do Palácio dos Leões. |
A reeleição de Eduardo Braide (PSD) em São Luís, consolidada ainda no primeiro turno com expressivos 70,12% dos votos válidos, não foi apenas um atestado de aprovação administrativa, mas o resultado de uma operação digital milimetrada. Em um estado historicamente marcado por oligarquias e pelo peso das máquinas tradicionais, Braide logrou êxito ao verticalizar sua comunicação. Ao ignorar os mediadores convencionais e as estruturas de apoio partidário clássicas — muitas vezes unidas em torno de seus adversários —, o prefeito estabeleceu um canal de transparência e prestação de contas que transformou o canteiro de obras em conteúdo viral.
O núcleo da estratégia, capitaneado pelo publicitário André Pessoa, focou na conversão de aprovação em intenção de voto. Embora Braide ostentasse altos índices de popularidade, o desafio era materializar a percepção de 'prefeito que mais trabalhou' em uma cidade saturada de promessas históricas. A solução veio através de uma presença digital agressiva, mas sóbria: o uso de redes sociais não apenas para publicidade, mas para a demonstração técnica e visual de entregas, como a expansão da Guarda Municipal e a modernização da iluminação pública por LED. O resultado foi um engajamento de 5,7%, um dos mais altos entre gestores de capitais brasileiras.
Este
fenômeno institucional revela uma mudança de paradigma na economia política
local. Ao dominar as métricas de influência — superando, inclusive, o alcance
digital do governador do estado em diversos levantamentos de 2025 —, Braide
reduziu a dependência de grandes coalizões de rádio e TV. A comunicação direta
permitiu que a gestão pautasse o debate público, reagindo em tempo real a
críticas e blindando a imagem do Executivo contra ataques coordenados. A
eficácia desse modelo reside na simbiose entre a 'política do asfalto' e a
estética do Instagram e TikTok.
Entretanto, a consolidação desse 'prefeito-influenciador' traz implicações institucionais que merecem análise. O sucesso do modelo Braide sinaliza uma tendência de personalização da gestão pública, onde a figura do líder se sobrepõe à burocracia partidária. Com o horizonte de 2026 se aproximando e movimentos digitais já articulando uma candidatura ao governo estadual, o PSD de Gilberto Kassab encontra em São Luís um laboratório de como a eficiência digital pode desestabilizar arranjos de poder consolidados há décadas no Maranhão.
Por fim, é preciso observar a sustentabilidade desse modelo no longo prazo. Enquanto a estratégia digital garante o domínio da narrativa, a gestão enfrenta o desafio de manter o ritmo das entregas reais para alimentar a máquina de conteúdo. Casos como o atraso em promessas específicas, como o Circo da Cidade, tornam-se pontos de vulnerabilidade que a oposição pode explorar no vácuo das redes. A política ludovicense vive hoje sob a égide do algoritmo: onde a eficiência administrativa só existe plenamente se for devidamente postada, curtida e compartilhada.




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