quarta-feira, 25 de março de 2026

O SENADO APROVA QUE MISOGINIA AGORA É CRIME EQUIPARADO AO RACISMO; OPOSIÇÃO É CONTRA

A aprovação unânime no Senado do PL 896/2023 confronta a barbárie digital e a violência estrutural, mas o verdadeiro teste de fogo será enfrentar o cinismo da Câmara dos Deputados.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

O Senado decidiu: misoginia agora é crime
equiparado ao racismo. 

A aprovação unânime do Projeto de Lei 896/2023 pelo Senado Federal, nesta última terça-feira, não é apenas um avanço legislativo; é um grito de basta contra uma cultura que normaliza a aversão às mulheres como se fosse liberdade de opinião. Ao equiparar a misoginia ao crime de racismo, tornando-a imprescritível e inafiançável, o Estado brasileiro finalmente reconhece que o ódio de gênero é uma ferramenta de opressão estrutural que corrói a democracia. Não estamos falando de mal-entendidos, mas de uma arquitetura de violência que se manifesta desde os esgotos digitais de grupos 'red pill' até o feminicídio nos lares brasileiros.

A proposta da senadora Ana Paula Lobato e o relatório contundente de Soraya Thronicke jogam luz sobre a necessidade urgente de punições severas. Aumentar as penas para injúria misógina e garantir que esses crimes não prescrevam retira dos agressores o escudo do tempo e da impunidade. É uma resposta direta a um ecossistema que lucra e se organiza através da desumanização da mulher, utilizando as redes sociais como laboratórios de radicalização misógina que resultam em violência real e física.

No entanto, a unanimidade no Senado contrasta com o cenário sombrio que se desenha na Câmara dos Deputados. Já assistimos, em diversas sessões parlamentares, homens que utilizam seus mandatos para gritar, silenciar e humilhar colegas mulheres, mandando-as 'voltar para a cozinha' ou exigindo submissão. A resistência de setores da oposição, que tentam camuflar o preconceito sob o manto da 'liberdade de expressão', é o maior obstáculo para que esta lei se torne uma realidade efetiva. É preciso dizer claramente: o direito de se expressar termina onde começa o direito do outro de existir sem ser alvo de ódio sistêmico.

Ignorar o peso histórico dessa decisão é ignorar a realidade das brasileiras que enfrentam desigualdades salariais, assédio moral e físico e a constante ameaça de morte pelo simples fato de serem mulheres. A misoginia é o combustível do feminicídio. Tratá-la com o rigor da Lei do Racismo é admitir que o ódio ao feminino é uma chaga social que exige um remédio estatal forte e permanente. Não há neutralidade possível diante de quem prega a superioridade masculina e a aversão ao gênero oposto.

Agora, a responsabilidade recai sobre a Câmara. A sociedade civil deve monitorar cada movimento daqueles que pretendem desidratar o projeto. Não aceitaremos que a dignidade das mulheres seja negociada em troca de favores políticos ou discursos populistas de extrema-direita. Que o exemplo do Senado ecoe: o ódio não tem espaço em uma nação que se pretende justa. A luta por um Brasil sem misoginia é a luta por uma humanidade completa.

0 comentários:

Postar um comentário

Buscar no Site