Nova legislação ataca a crueldade de quem usa filhos para destruir a vida das mães e sacudir as redes sociais.
Por:
Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
| De olho na aplicação dessa nova lei aqui no Maranhão. |
Para quem
ainda não está por dentro do termo, o vicaricídio é a forma mais perversa de
vingança. É quando o agressor, incapaz de aceitar o fim de um relacionamento ou
querendo exercer poder absoluto, escolhe o alvo mais vulnerável para causar uma
dor eterna na parceira ou ex-parceira. É a política penal finalmente
reconhecendo que o dano psicológico aqui é tão brutal quanto o ato físico.
O ponto que
está gerando mais debate e compartilhamentos é o tamanho da conta: até 40 anos
de cadeia. Essa é a pena máxima permitida no sistema brasileiro. A mensagem é
clara: não haverá mais espaço para atenuantes ou interpretações brandas quando
a vida de uma criança é ceifada como estratégia de guerra contra uma mulher. O
cerco fechou para os covardes.
Nas redes
sociais, o tema já virou pólvora. Políticos já
começam a se movimentar para capitalizar sobre o assunto, sabendo que a pauta
da segurança pública e da proteção à família é um termômetro decisivo para a
opinião popular. No estado, onde os índices de violência doméstica ainda
assustam, a nova lei chega com um peso de urgência.
O que vemos
aqui é uma disputa de narrativas que foi vencida pela realidade dos fatos. Por
décadas, muitos desses crimes foram tratados como tragédias isoladas ou ‘crimes
passionais’. Agora, a política dá nome ao boi. Identificar o vicaricídio como
um crime específico retira o véu de invisibilidade de uma tática de tortura
psicológica que destrói famílias inteiras no Maranhão e no Brasil.
Para os
políticos locais, o desafio agora é garantir que a estrutura de segurança
esteja pronta para aplicar a lei. Não basta o Senado aprovar em Brasília se, na
ponta, a investigação não conseguir caracterizar a intenção de atingir a mãe. A
pressão digital será em cima dos delegados e juízes para que a nova regra não
vire apenas uma ‘letra morta’ no papel.
A crise de imagem para quem ousa criticar o endurecimento dessas penas é imediata. Vivemos um tempo onde a tolerância para a violência contra vulneráveis é zero. Qualquer tentativa de politizar o tema de forma negativa ou buscar brechas jurídicas para o agressor é recebida com cancelamento instantâneo e uma reação feroz da opinião pública nas plataformas digitais.
O jogo mudou e o recado foi dado de forma contundente. A justiça brasileira está se tornando mais específica e, consequentemente, mais rigorosa com a crueldade planejada. É uma vitória para a proteção das mulheres e um aviso de que a vida das crianças não será mais moeda de troca no submundo da violência doméstica.




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