sexta-feira, 6 de março de 2026

A DESIGUALDADE SOCIAL COMO PROJETO DE PODER

Enquanto o orçamento é fatiado entre privilégios, o povo do Maranhão e do Brasil segue esperando a dignidade que o papel promete e a realidade nega.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

A desigualdade no Brasil não é acidente, é projeto.
Vamos falar a verdade, sem rodeios: no Brasil, a desigualdade não é um acidente de percurso, é um projeto de poder muito bem amarrado. Todo dia, o trabalhador acorda antes do sol, pega ônibus lotado e volta para casa com um salário que mal paga o arroz e o feijão, enquanto vê, nos telejornais, fatias bilionárias do orçamento público sendo destinadas a manter privilégios de quem já tem os bolsos cheios. A política pública que deveria ser o escudo de quem mais precisa acaba virando uma peneira, onde o recurso vaza antes de chegar na ponta, na periferia de São Luís ou nos rincões do interior maranhense.

É revoltante observar como o discurso da 'responsabilidade fiscal' só aparece na hora de cortar o remédio do posto ou a merenda da escola. Quando o assunto é isenção fiscal para grandes empresas ou aumento de benefícios para a elite do funcionalismo e do legislativo, o cofre parece não ter fundo. Aqui no Maranhão, sentimos isso na pele. Temos um povo resiliente, mas que é constantemente bombardeado por uma política de migalhas. A gente não quer apenas sobreviver, a gente quer viver com o mínimo de decência: saneamento, educação de qualidade e a garantia de que o filho do pobre terá as mesmas chances do filho do patrão.

E não me venham com esse papo moralista de que 'o Estado é inchado'. O Estado é ausente para quem mora na favela e é muito generoso para quem frequenta os salões do poder. A direita conservadora adora usar pautas de costumes e a religião para distrair o povo, enquanto, por debaixo do pano, vota contra o aumento real do salário mínimo e a favor da precarização do trabalho. Eles usam a fé para cegar e a política para espoliar. É uma instrumentalização baixa da crença popular para manter o status quo de uma elite que tem horror a ver o povo subindo de vida.

As disputas narrativas digitais hoje tentam convencer o cidadão de que ele é um 'empreendedor' só porque faz entrega de aplicativo sem direito nenhum. Isso é mentira deslavada. Isso é precarização com nome gourmet. A verdadeira política pública de impacto é aquela que gera emprego com carteira assinada, que fortalece o SUS e que entende que a educação integral é o único caminho para quebrar o ciclo da pobreza. Sem investimento massivo na base, continuaremos a ser o país do futuro que nunca chega, patinando numa desigualdade que envergonha qualquer um que tenha um pingo de humanidade.

Para resolver isso, não tem mágica: precisamos de uma reforma tributária urgente que taxe as grandes fortunas e os lucros e dividendos, aliviando o consumo de quem ganha pouco. O dinheiro existe, a questão é onde ele está sendo aplicado. Minha pergunta para você, que detém o poder, é direta: até quando vamos manter esse sistema que protege o topo e esmaga a base? A solução passa por colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. É cobrar transparência real e mobilização popular para que o recurso chegue onde o calo aperta. Chega de desculpas. O povo tem pressa e a fome não espera.

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