Enquanto o orçamento é fatiado entre
privilégios, o povo do Maranhão e do Brasil segue esperando a dignidade que o
papel promete e a realidade nega.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
Vamos falar
a verdade, sem rodeios: no Brasil, a desigualdade não é um acidente de
percurso, é um projeto de poder muito bem amarrado. Todo dia, o trabalhador
acorda antes do sol, pega ônibus lotado e volta para casa com um salário que
mal paga o arroz e o feijão, enquanto vê, nos telejornais, fatias bilionárias
do orçamento público sendo destinadas a manter privilégios de quem já tem os
bolsos cheios. A política pública que deveria ser o escudo de quem mais precisa
acaba virando uma peneira, onde o recurso vaza antes de chegar na ponta, na
periferia de São Luís ou nos rincões do interior maranhense.A desigualdade no Brasil não é acidente, é
projeto.
É revoltante
observar como o discurso da 'responsabilidade fiscal' só aparece na hora de
cortar o remédio do posto ou a merenda da escola. Quando o assunto é isenção
fiscal para grandes empresas ou aumento de benefícios para a elite do
funcionalismo e do legislativo, o cofre parece não ter fundo. Aqui no Maranhão,
sentimos isso na pele. Temos um povo resiliente, mas que é constantemente
bombardeado por uma política de migalhas. A gente não quer apenas sobreviver, a
gente quer viver com o mínimo de decência: saneamento, educação de qualidade e
a garantia de que o filho do pobre terá as mesmas chances do filho do patrão.
E não me
venham com esse papo moralista de que 'o Estado é inchado'. O Estado é ausente
para quem mora na favela e é muito generoso para quem frequenta os salões do
poder. A direita conservadora adora usar pautas de costumes e a religião para
distrair o povo, enquanto, por debaixo do pano, vota contra o aumento real do
salário mínimo e a favor da precarização do trabalho. Eles usam a fé para cegar
e a política para espoliar. É uma instrumentalização baixa da crença popular
para manter o status quo de uma elite que tem horror a ver o povo subindo de
vida.
As disputas
narrativas digitais hoje tentam convencer o cidadão de que ele é um
'empreendedor' só porque faz entrega de aplicativo sem direito nenhum. Isso é
mentira deslavada. Isso é precarização com nome gourmet. A verdadeira política
pública de impacto é aquela que gera emprego com carteira assinada, que
fortalece o SUS e que entende que a educação integral é o único caminho para
quebrar o ciclo da pobreza. Sem investimento massivo na base, continuaremos a
ser o país do futuro que nunca chega, patinando numa desigualdade que
envergonha qualquer um que tenha um pingo de humanidade.
Para resolver isso, não tem mágica: precisamos de uma reforma tributária urgente que taxe as grandes fortunas e os lucros e dividendos, aliviando o consumo de quem ganha pouco. O dinheiro existe, a questão é onde ele está sendo aplicado. Minha pergunta para você, que detém o poder, é direta: até quando vamos manter esse sistema que protege o topo e esmaga a base? A solução passa por colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. É cobrar transparência real e mobilização popular para que o recurso chegue onde o calo aperta. Chega de desculpas. O povo tem pressa e a fome não espera.




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