Entenda como a comunicação digital define quem sobe e quem desce no termômetro político maranhense.
Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
A política
de São Luís não acontece mais apenas nos palanques de madeira ou nas caminhadas
sob o sol forte. Hoje, o verdadeiro embate ocorre na palma da mão, através das
telas de celulares que ditam o ritmo das conversas nos bairros. Quem ignora a
força das redes sociais entrega de bandeja o controle da sua própria imagem
para o adversário. A comunicação digital deixou de ser um acessório para se
tornar o coração da estratégia eleitoral moderna.O eleitor maranhense está de olho na
autenticidade.
Vivemos uma
guerra de narrativas onde a velocidade é a regra principal. Um vídeo fora de
contexto ou uma denúncia bem editada ganha os grupos de WhatsApp em minutos,
criando uma realidade que muitas vezes o fato real não consegue alcançar. O
político que demora a responder ou que mantém um perfil engessado perde a
conexão com o eleitorado jovem e conectado. A agilidade na resposta define quem
sobrevive às crises de imagem que surgem do nada.
No Maranhão,
observamos uma transição curiosa entre o coronelismo clássico e o marketing de
influência. Líderes locais tentam humanizar suas figuras através de dancinhas
ou bastidores forçados, mas o eleitor percebe o que é falso. A autenticidade
aparece como a moeda mais valiosa nesse mercado digital. O povo quer ver o
trabalho real, mas quer ver de um jeito que faça sentido dentro da linguagem
dinâmica do Instagram e do TikTok.
Os
algoritmos criam bolhas perigosas que reforçam apenas o que o seguidor já
acredita. Isso dificulta o debate de propostas sérias e privilegia o ataque
direto e o deboche. A política ludovicense precisa encontrar um equilíbrio
entre o entretenimento necessário para atrair atenção e a seriedade exigida
para governar uma capital complexa. Postar uma obra é importante, mas explicar
o impacto dela na vida do cidadão é o que realmente converte apoio em
confiança.
Gerir uma
crise digital exige sangue frio e uma equipe técnica que entenda de dados, não
apenas de estética. Não basta ter fotos bonitas se a seção de comentários é um
campo minado de reclamações sem resposta. A interatividade é a alma da rede; o
político que não ouve o que o seguidor escreve está apenas falando sozinho em
um megafone que ninguém quer escutar. O diálogo substituiu o monólogo dos
antigos guias eleitorais.
A produção
de conteúdo precisa ser constante, mas não pode ser vazia. O excesso de
postagens sem substância gera o chamado cansaço digital, onde o eleitor
simplesmente ignora as publicações do parlamentar ou gestor. O desafio é
transformar o mandato em uma história contínua, onde o cidadão se sinta parte
do processo. A comunicação eficaz é aquela que traduz o 'politiquês' para a
língua do dia a dia das feiras e paradas de ônibus.
Muitos
políticos ainda confundem curtidas com votos, caindo na armadilha da vaidade
digital. Ter milhares de seguidores não garante vitória se essa audiência não
for qualificada e engajada com os problemas reais da cidade. O foco deve sair
da métrica de ego para a métrica de resultado social. A rede social deve ser a vitrine,
mas o estoque — que é a gestão pública — precisa estar cheio e funcionando para
o povo.
Para
resolver esse abismo entre o virtual e o real, o caminho é a transparência
radical unida à escuta ativa. O político deve usar as ferramentas digitais para
abrir as contas, mostrar os processos e, principalmente, responder às críticas
com soluções práticas em vez de bloqueios. A tecnologia deve servir para
encurtar a distância entre o gabinete e a periferia, transformando o clique em
cidadania e a tela em um canal direto de prestação de contas permanente.




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