segunda-feira, 2 de março de 2026

A GUERRA DOS CLIQUES: O NOVO CAMPO DE BATALHA EM SÃO LUÍS

Entenda como a comunicação digital define quem sobe e quem desce no termômetro político maranhense.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

O eleitor maranhense está de olho na autenticidade.
A política de São Luís não acontece mais apenas nos palanques de madeira ou nas caminhadas sob o sol forte. Hoje, o verdadeiro embate ocorre na palma da mão, através das telas de celulares que ditam o ritmo das conversas nos bairros. Quem ignora a força das redes sociais entrega de bandeja o controle da sua própria imagem para o adversário. A comunicação digital deixou de ser um acessório para se tornar o coração da estratégia eleitoral moderna.

Vivemos uma guerra de narrativas onde a velocidade é a regra principal. Um vídeo fora de contexto ou uma denúncia bem editada ganha os grupos de WhatsApp em minutos, criando uma realidade que muitas vezes o fato real não consegue alcançar. O político que demora a responder ou que mantém um perfil engessado perde a conexão com o eleitorado jovem e conectado. A agilidade na resposta define quem sobrevive às crises de imagem que surgem do nada.

No Maranhão, observamos uma transição curiosa entre o coronelismo clássico e o marketing de influência. Líderes locais tentam humanizar suas figuras através de dancinhas ou bastidores forçados, mas o eleitor percebe o que é falso. A autenticidade aparece como a moeda mais valiosa nesse mercado digital. O povo quer ver o trabalho real, mas quer ver de um jeito que faça sentido dentro da linguagem dinâmica do Instagram e do TikTok.

Os algoritmos criam bolhas perigosas que reforçam apenas o que o seguidor já acredita. Isso dificulta o debate de propostas sérias e privilegia o ataque direto e o deboche. A política ludovicense precisa encontrar um equilíbrio entre o entretenimento necessário para atrair atenção e a seriedade exigida para governar uma capital complexa. Postar uma obra é importante, mas explicar o impacto dela na vida do cidadão é o que realmente converte apoio em confiança.

Gerir uma crise digital exige sangue frio e uma equipe técnica que entenda de dados, não apenas de estética. Não basta ter fotos bonitas se a seção de comentários é um campo minado de reclamações sem resposta. A interatividade é a alma da rede; o político que não ouve o que o seguidor escreve está apenas falando sozinho em um megafone que ninguém quer escutar. O diálogo substituiu o monólogo dos antigos guias eleitorais.

A produção de conteúdo precisa ser constante, mas não pode ser vazia. O excesso de postagens sem substância gera o chamado cansaço digital, onde o eleitor simplesmente ignora as publicações do parlamentar ou gestor. O desafio é transformar o mandato em uma história contínua, onde o cidadão se sinta parte do processo. A comunicação eficaz é aquela que traduz o 'politiquês' para a língua do dia a dia das feiras e paradas de ônibus.

Muitos políticos ainda confundem curtidas com votos, caindo na armadilha da vaidade digital. Ter milhares de seguidores não garante vitória se essa audiência não for qualificada e engajada com os problemas reais da cidade. O foco deve sair da métrica de ego para a métrica de resultado social. A rede social deve ser a vitrine, mas o estoque — que é a gestão pública — precisa estar cheio e funcionando para o povo.

Para resolver esse abismo entre o virtual e o real, o caminho é a transparência radical unida à escuta ativa. O político deve usar as ferramentas digitais para abrir as contas, mostrar os processos e, principalmente, responder às críticas com soluções práticas em vez de bloqueios. A tecnologia deve servir para encurtar a distância entre o gabinete e a periferia, transformando o clique em cidadania e a tela em um canal direto de prestação de contas permanente.

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