Enquanto redes sociais inflamam discurso de perseguição, projeto que equipara misoginia ao racismo avança com apoio até da oposição.
Por:
Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
| Guerra de narrativas: É proteção às mulheres ou perseguição? |
De autoria
da senadora maranhense Ana Paula Lobato, a proposta não brinca em serviço.
Estamos falando de penas de 2 a 5 anos de reclusão. Por ser equiparado ao
racismo, o crime se torna inafiançável e imprescritível. É o Estado brasileiro
mandando um recado claro sobre a violência de gênero no ambiente digital e
físico.
Mas o
barulho real aconteceu fora do plenário. O deputado Nikolas Ferreira tratou de
incendiar as redes sociais. Em vídeo viral, ele chamou o projeto de
"aberração". A estratégia foi clara: criar um pânico moral. Ele
afirmou que dar um simples "bom dia" ou fazer uma piada poderia levar
alguém à cadeia.
O problema é
que a narrativa de Nikolas colide com a letra fria da lei. O texto fala em
exteriorização de ódio e aversão, não em interações cotidianas. Deputadas como
Tabata Amaral e Erika Hilton reagiram rápido. Acusaram o colega de fabricar
desinformação para manter o engajamento de sua base extremista em alta.
Um detalhe
curioso expõe a fragilidade do discurso digital: o próprio partido de Nikolas,
o PL, votou a favor no Senado. Flávio Bolsonaro e outros nomes de peso da
oposição deram o braço a torcer. O placar de 67 a 0 mostra que, no mundo real
da política, o consenso foi quase absoluto sobre a necessidade da medida.
Essa
desconexão entre o voto no Senado e a gritaria no TikTok é o novo normal.
Políticos usam temas sensíveis para gerar cliques, mesmo que o conteúdo da lei
diga o contrário. O objetivo não é debater o mérito, mas sim quem grita mais
alto para o seu próprio algoritmo.
Para o Maranhão, o projeto projeta Ana Paula Lobato como uma voz relevante na pauta de direitos humanos. Ela conseguiu unir o Senado em torno de um tema explosivo. É uma vitória política que ressoa no estado e mostra força na articulação nacional, fugindo do amadorismo digital.
O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados. A pressão popular e as fake news devem aumentar a temperatura do debate. Se o texto passar sem cortes, o Brasil terá uma das leis mais rígidas do mundo contra o preconceito de gênero. O tempo das desculpas para o ódio parece estar chegando ao fim.




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