segunda-feira, 30 de março de 2026

A GUERRA DE VERSÕES SOBRE A MISOGINIA NO SENADO

Enquanto redes sociais inflamam discurso de perseguição, projeto que equipara misoginia ao racismo avança com apoio até da oposição.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

Guerra de narrativas: É proteção às mulheres
ou perseguição?
A política brasileira vive hoje uma guerra de narrativas que ignora o papel. O Senado aprovou o PL 896/2023, que coloca a misoginia no mesmo patamar do racismo. É uma mudança drástica na legislação. O texto foca no ódio estrutural contra mulheres, punindo a crença de supremacia masculina com rigor extremo.

De autoria da senadora maranhense Ana Paula Lobato, a proposta não brinca em serviço. Estamos falando de penas de 2 a 5 anos de reclusão. Por ser equiparado ao racismo, o crime se torna inafiançável e imprescritível. É o Estado brasileiro mandando um recado claro sobre a violência de gênero no ambiente digital e físico.

Mas o barulho real aconteceu fora do plenário. O deputado Nikolas Ferreira tratou de incendiar as redes sociais. Em vídeo viral, ele chamou o projeto de "aberração". A estratégia foi clara: criar um pânico moral. Ele afirmou que dar um simples "bom dia" ou fazer uma piada poderia levar alguém à cadeia.

O problema é que a narrativa de Nikolas colide com a letra fria da lei. O texto fala em exteriorização de ódio e aversão, não em interações cotidianas. Deputadas como Tabata Amaral e Erika Hilton reagiram rápido. Acusaram o colega de fabricar desinformação para manter o engajamento de sua base extremista em alta.

Um detalhe curioso expõe a fragilidade do discurso digital: o próprio partido de Nikolas, o PL, votou a favor no Senado. Flávio Bolsonaro e outros nomes de peso da oposição deram o braço a torcer. O placar de 67 a 0 mostra que, no mundo real da política, o consenso foi quase absoluto sobre a necessidade da medida.

Essa desconexão entre o voto no Senado e a gritaria no TikTok é o novo normal. Políticos usam temas sensíveis para gerar cliques, mesmo que o conteúdo da lei diga o contrário. O objetivo não é debater o mérito, mas sim quem grita mais alto para o seu próprio algoritmo.

Para o Maranhão, o projeto projeta Ana Paula Lobato como uma voz relevante na pauta de direitos humanos. Ela conseguiu unir o Senado em torno de um tema explosivo. É uma vitória política que ressoa no estado e mostra força na articulação nacional, fugindo do amadorismo digital.

O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados. A pressão popular e as fake news devem aumentar a temperatura do debate. Se o texto passar sem cortes, o Brasil terá uma das leis mais rígidas do mundo contra o preconceito de gênero. O tempo das desculpas para o ódio parece estar chegando ao fim.

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