quinta-feira, 19 de março de 2026

O QUE SERIA DO BRASIL COM A PETROBRAS PRIVATIZADA NA GUERRA?

A crise global do petróleo e o embate entre o controle estatal de Lula e o fantasma da privatização de Bolsonaro e Guedes.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

A guerra no Irã mostra o valor da nossa estatal! 
A geopolítica mundial pegou fogo e o respingo caiu direto no seu tanque de combustível. Com a escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, o barril de petróleo triplicou de preço em apenas duas semanas, chegando aos 120 dólares. É o tipo de crise que derruba governo e quebra país, mas que aqui no Brasil reacende uma discussão fundamental: e se a Petrobras tivesse sido privatizada como queriam Paulo Guedes e Jair Bolsonaro?

Se o plano de venda da estatal tivesse avançado, o cenário hoje seria de terra arrasada para o trabalhador. Sem o controle estatal para amortecer os impactos internacionais, a estimativa é que o litro da gasolina já estaria batendo os R$ 20,00 nas bombas. Estaríamos totalmente reféns de empresas privadas que visam apenas o lucro, ignorando a realidade social de quem precisa do carro ou do caminhão para sobreviver.

A política de paridade internacional (PPI), herança de Temer que Bolsonaro manteve com unhas e dentes, era o mecanismo que nos obrigava a pagar preço de importação por um petróleo que a gente extrai aqui mesmo. O Brasil é produtor, mas a lógica anterior era punir o brasileiro para agradar acionista estrangeiro. Hoje, com a guerra, essa conta simplesmente não fecharia e a inflação destruiria o poder de compra de vez.

Olhando para fora, a situação é caótica. Nos Estados Unidos, o combustível atingiu valores históricos, chegando a 7 dólares na Califórnia. O curioso é que a própria população americana não compra essa briga; apenas 25% defendem o conflito. A fatura dessa 'idiotice' bélica, alimentada por narrativas herdadas de Donald Trump, está sendo paga pelo cidadão comum no supermercado e no posto.

Para segurar essa onda, o presidente Lula decidiu agir com mão de ferro contra o oportunismo. Uma Medida Provisória está sendo editada para punir severamente os postos que aumentarem preços de forma irresponsável e imoral. Não é apenas multa: a fiscalização foi intensificada e pode resultar em prisão para quem tentar lucrar em cima do desespero do povo durante a crise.

Outra frente de batalha é o ICMS do diesel. O governo federal propôs zerar o imposto com compensação da União para os estados, garantindo que os governadores não percam arrecadação. É a solução técnica para baixar o custo do transporte de carga e, consequentemente, o preço da comida. No papel, um acordo perfeito para salvar a economia nacional do impacto da guerra.

No entanto, a política rasteira entrou em campo. Governadores de extrema direita já sinalizam que não aceitarão a proposta, mesmo com a compensação garantida. A estratégia é clara e cruel: eles preferem ver a economia sangrar e o povo sofrer com preços altos só para tentar desgastar o governo Lula. É a política do 'quanto pior, melhor', onde o palanque vale mais que o prato de comida.

A soberania nacional nunca foi tão testada. Ter uma Petrobras estatal e uma política de preços voltada para o mercado interno é o que separa o Brasil de um colapso total. Enquanto o mundo arde em conflitos externos, aqui a luta é interna contra o abuso econômico e a sabotagem política. O bolso do brasileiro virou o principal campo de batalha desta guerra.

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