Como o ódio digital em escolas de elite e a retórica do 'macho alfa' estão alimentando uma onda de violência e feminicídios.
Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
| Do zap da escola ao crime do tenente-coronel: a retórica do 'macho alfa' está matando mulheres. |
Esse
comportamento tem nome e sobrenome: discurso Redpill. Jovens estão sendo
bombardeados por conteúdos que desumanizam mulheres e pregam uma superioridade
masculina tóxica. O que começa em um grupo de mensagens escolares termina em
tragédia na vida real. A internet virou um campo de treinamento para futuros
agressores.
A transição
do digital para a violência física é rápida e devastadora. Homens mais velhos
também estão caindo nessa armadilha ideológica. Eles se sentem vítimas de uma
suposta 'sociedade feminista' e usam isso para justificar o controle absoluto.
O resultado não é apenas o isolamento social, mas o feminicídio em sua forma
mais cruel.
Um exemplo
brutal é o caso do tenente-coronel Geraldo Rosa Leite. Antes de matar a esposa,
Gisele Alves Santana, ele enviou mensagens carregadas dessa mesma retórica. Ele
se intitulava o 'macho alfa provedor'. Exigia submissão total sob o pretexto de
sustentar a casa. Para ele, a esposa era um objeto de sua propriedade.
O discurso
do policial era claro: 'mulher não tem que trabalhar'. Ele utilizava a
chantagem financeira para anular a vontade de Gisele. Afirmava que não haveria
atritos se ela fosse 'carinhosa e submissa'. Essa é a cartilha exata dos grupos
Redpill que circulam livremente nas redes sociais hoje.
A reação
institucional ao crime também assusta. Ao ser preso, o oficial foi recebido com
abraços e tapinhas nas costas por colegas de farda no batalhão. Isso mostra que
o machismo estrutural protege o agressor e valida a violência. A camaradagem
masculina, nesse contexto, torna-se cúmplice da barbárie contra a mulher.
É urgente a discussão sobre a criminalização do discurso Redpill. Não se trata de liberdade de expressão, mas de incitação direta ao crime e ao ódio. Enquanto esses grupos continuarem recrutando adolescentes e radicalizando homens, o número de feminicídios continuará subindo. A prevenção começa no monitoramento do que é dito nas telas.
Sociedade, escolas e justiça precisam agir agora para evitar que essas agressões se repitam no futuro. O 'ranking' da escola de elite e o crime do tenente-coronel são duas faces da mesma moeda podre. Precisamos cortar o mal pela raiz antes que o próximo grupo de WhatsApp se transforme em mais um boletim de ocorrência fatal.




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