segunda-feira, 23 de março de 2026

DO COLÉGIO À CADEIA: A ROTA MORTAL DO DISCURSO REDPILL NO BRASIL

Como o ódio digital em escolas de elite e a retórica do 'macho alfa' estão alimentando uma onda de violência e feminicídios.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

Do zap da escola ao crime do tenente-coronel:
a retórica do 'macho alfa' está matando mulheres.
O caso do Colégio São Domingos, em Perdizes, chocou o país e acendeu um alerta vermelho. Alunos do 9º ano criaram um grupo de WhatsApp para classificar colegas como 'mais ou menos estupráveis'. O uso de figurinhas de Jeffrey Epstein não foi apenas uma 'brincadeira' de mau gosto. É o reflexo direto de uma radicalização misógina que invade as salas de aula.

Esse comportamento tem nome e sobrenome: discurso Redpill. Jovens estão sendo bombardeados por conteúdos que desumanizam mulheres e pregam uma superioridade masculina tóxica. O que começa em um grupo de mensagens escolares termina em tragédia na vida real. A internet virou um campo de treinamento para futuros agressores.

A transição do digital para a violência física é rápida e devastadora. Homens mais velhos também estão caindo nessa armadilha ideológica. Eles se sentem vítimas de uma suposta 'sociedade feminista' e usam isso para justificar o controle absoluto. O resultado não é apenas o isolamento social, mas o feminicídio em sua forma mais cruel.

Um exemplo brutal é o caso do tenente-coronel Geraldo Rosa Leite. Antes de matar a esposa, Gisele Alves Santana, ele enviou mensagens carregadas dessa mesma retórica. Ele se intitulava o 'macho alfa provedor'. Exigia submissão total sob o pretexto de sustentar a casa. Para ele, a esposa era um objeto de sua propriedade.

O discurso do policial era claro: 'mulher não tem que trabalhar'. Ele utilizava a chantagem financeira para anular a vontade de Gisele. Afirmava que não haveria atritos se ela fosse 'carinhosa e submissa'. Essa é a cartilha exata dos grupos Redpill que circulam livremente nas redes sociais hoje.

A reação institucional ao crime também assusta. Ao ser preso, o oficial foi recebido com abraços e tapinhas nas costas por colegas de farda no batalhão. Isso mostra que o machismo estrutural protege o agressor e valida a violência. A camaradagem masculina, nesse contexto, torna-se cúmplice da barbárie contra a mulher.

É urgente a discussão sobre a criminalização do discurso Redpill. Não se trata de liberdade de expressão, mas de incitação direta ao crime e ao ódio. Enquanto esses grupos continuarem recrutando adolescentes e radicalizando homens, o número de feminicídios continuará subindo. A prevenção começa no monitoramento do que é dito nas telas.

Sociedade, escolas e justiça precisam agir agora para evitar que essas agressões se repitam no futuro. O 'ranking' da escola de elite e o crime do tenente-coronel são duas faces da mesma moeda podre. Precisamos cortar o mal pela raiz antes que o próximo grupo de WhatsApp se transforme em mais um boletim de ocorrência fatal.

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