O perigo das narrativas fabricadas que paralisam o país e punem quem mais precisa de ajuda.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
| Não deixe a narrativa digital esconder a falta de comida! |
Aqui no
Maranhão e no Brasil inteiro, a gente vê o mesmo filme repetido em looping. A
extrema direita e os setores mais conservadores se especializaram em criar
cortinas de fumaça. Falam de moralidade e de pautas de costumes que só servem
para distrair, enquanto, por trás das cortinas, votam contra o aumento real do
salário mínimo ou articulam cortes nas verbas da educação básica. É uma
estratégia pensada e financiada: se o povo estiver ocupado brigando por
mentiras digitais, não vai ter tempo de cobrar quem está com a caneta na mão
decidindo o futuro de todos nós.
O impacto
disso na vida real é devastador. Como é que a gente convence uma mãe a vacinar
o filho se o celular dela não para de mandar mensagem dizendo que a vacina é um
plano de controle mundial? Como é que o Estado avança no combate à fome se
inventam que programas de assistência são apenas esmola para vagabundo? A
mentira digital paralisa o avanço social e deixa o cidadão comum desprotegido,
à mercê de quem quer ver o circo pegar fogo para lucrar com os escombros. A
narrativa falsa vira lei na cabeça de quem está desinformado.
Precisamos
entender de uma vez por todas que o algoritmo das redes sociais não tem coração,
mas quem o alimenta tem conta bancária e interesses políticos bem definidos.
Essa máquina de moer verdades é sustentada por quem não quer ver a justiça
social acontecer de verdade. Eles preferem um povo dividido, odiando o vizinho
por causa de um post fake, porque um povo consciente e unido é o pior pesadelo
de quem governa apenas para as elites. Não dá mais para aceitar que o debate
público seja sequestrado por quem odeia o povo e a democracia.
A solução
para esse caos não é o silêncio, mas a retomada agressiva do território digital
com a verdade que dói no calo de quem mente. Precisamos de regulação séria das
plataformas de tecnologia, de educação midiática popular e, acima de tudo, de
coragem para desmentir o absurdo no momento em que ele surge. Ou a gente
enfrenta o império das fake news com políticas de comunicação que falem a
língua do povo, ou continuaremos vendo os direitos dos trabalhadores serem
triturados por um simples clique. Até quando vamos permitir que a mentira dite
as regras da nossa sobrevivência?




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