quinta-feira, 12 de março de 2026

COMO O JOGO SUJO DAS REDES DESTRÓI O PÃO DE CADA DIA

O perigo das narrativas fabricadas que paralisam o país e punem quem mais precisa de ajuda.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Não deixe a narrativa digital esconder a falta de comida!
A gente acorda e o celular já está fervendo. É o grupo da família, é o vídeo editado, é o tal do "alerta urgente" sobre uma ameaça que simplesmente não existe. Enquanto isso, o preço do arroz sobe, o hospital do bairro continua com fila e o transporte público segue precário. As disputas de narrativa nas redes sociais não são brincadeira de criança nem briga de torcida; elas se tornaram ferramentas cruéis para travar o que realmente importa: a comida no prato e o direito à dignidade. Quando a mentira ganha a velocidade da luz, a política pública, que é lenta por natureza, acaba atropelada.

Aqui no Maranhão e no Brasil inteiro, a gente vê o mesmo filme repetido em looping. A extrema direita e os setores mais conservadores se especializaram em criar cortinas de fumaça. Falam de moralidade e de pautas de costumes que só servem para distrair, enquanto, por trás das cortinas, votam contra o aumento real do salário mínimo ou articulam cortes nas verbas da educação básica. É uma estratégia pensada e financiada: se o povo estiver ocupado brigando por mentiras digitais, não vai ter tempo de cobrar quem está com a caneta na mão decidindo o futuro de todos nós.

O impacto disso na vida real é devastador. Como é que a gente convence uma mãe a vacinar o filho se o celular dela não para de mandar mensagem dizendo que a vacina é um plano de controle mundial? Como é que o Estado avança no combate à fome se inventam que programas de assistência são apenas esmola para vagabundo? A mentira digital paralisa o avanço social e deixa o cidadão comum desprotegido, à mercê de quem quer ver o circo pegar fogo para lucrar com os escombros. A narrativa falsa vira lei na cabeça de quem está desinformado.

Precisamos entender de uma vez por todas que o algoritmo das redes sociais não tem coração, mas quem o alimenta tem conta bancária e interesses políticos bem definidos. Essa máquina de moer verdades é sustentada por quem não quer ver a justiça social acontecer de verdade. Eles preferem um povo dividido, odiando o vizinho por causa de um post fake, porque um povo consciente e unido é o pior pesadelo de quem governa apenas para as elites. Não dá mais para aceitar que o debate público seja sequestrado por quem odeia o povo e a democracia.

A solução para esse caos não é o silêncio, mas a retomada agressiva do território digital com a verdade que dói no calo de quem mente. Precisamos de regulação séria das plataformas de tecnologia, de educação midiática popular e, acima de tudo, de coragem para desmentir o absurdo no momento em que ele surge. Ou a gente enfrenta o império das fake news com políticas de comunicação que falem a língua do povo, ou continuaremos vendo os direitos dos trabalhadores serem triturados por um simples clique. Até quando vamos permitir que a mentira dite as regras da nossa sobrevivência?

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