terça-feira, 10 de março de 2026

A CRISE NO MARANHÃO NÃO É FALTA DE VERBA, É FALTA DE PRIORIDADE

Enquanto as elites políticas se engalfinham por cargos e poder, a realidade do Maranhense real continua sendo de luta por dignidade básica.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Pro lado do palácio, nunca falta verba para contrato suspeito.

Vamos falar a verdade, sem o verniz do marketing oficial que custa caro aos nossos cofres. O cenário político do Maranhão hoje parece um tabuleiro onde as peças se movem apenas para garantir a próxima eleição, ignorando o buraco no asfalto e a falta de remédio no posto. É revoltante ver que, enquanto os discursos em São Luís falam de 'unidade' e 'progresso', o interior do estado grita por socorro em crises que nunca cessam. A política, para essa gente, virou um jogo de salão, mas para quem mora na periferia ou na zona rural, o jogo é de sobrevivência.

A narrativa da 'crise pública' é usada com uma conveniência assustadora. Quando é para reajustar o salário do servidor ou investir na saúde básica, o discurso é de que 'não há recursos' e que é preciso 'responsabilidade fiscal'. Mas basta olhar para os contratos de publicidade e as nomeações políticas para perceber que o dinheiro existe; ele só está sendo canalizado para alimentar as máquinas partidárias em vez de alimentar a esperança de quem mais precisa. No Maranhão, o abismo entre o Palácio e a calçada nunca foi tão profundo.

A disputa narrativa nas redes sociais virou uma cortina de fumaça. Enquanto os políticos e seus assessores trocam farpas no X (ex Twitter) e fazem dancinhas no Instagram, o preço da cesta básica faz a mãe de família maranhense realizar um milagre diário para colocar o arroz e o feijão na mesa. Não podemos aceitar que a política seja reduzida a memes e ataques pessoais enquanto os indicadores sociais do nosso estado continuam nos envergonhando nacionalmente. O povo não come lacração, o povo precisa de solução.

É preciso denunciar a instrumentalização da esperança. O uso da máquina pública para cooptar lideranças e silenciar críticas é uma prática velha que insiste em se manter viva sob novas roupagens. A justiça social não pode ser apenas um slogan de campanha; ela tem que ser sentida na ponta, no atendimento humanizado, na escola que não cai aos pedaços e na oportunidade real de emprego para a juventude que hoje só vê como saída ir embora do nosso estado.

Minha proposta e questionamento são diretos: precisamos de uma auditoria social e transparente sobre as prioridades de gastos do estado e dos municípios. Onde está o dinheiro das emendas e dos fundos públicos? Por que a crise só atinge o serviço oferecido ao pobre e nunca o luxo do gabinete? A solução passa por conselhos populares que tenham poder de veto sobre gastos supérfluos. É hora de inverter essa lógica: ou o governo serve ao povo, ou o povo deve aprender a incomodar quem governa até que a conta pare de sobrar apenas para os mesmos de sempre.

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