quarta-feira, 25 de março de 2026

O TEATRO POLÍTICO DE FABIANA BOLSONARO E A CEGUEIRA SELETIVA DA DIREITA

Enquanto deputada faz performance na tribuna, casos reais de violência contra a mulher são ignorados por estratégia eleitoral

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

Deputada faz black face mas ignora violência real
contra a mulher.

A política brasileira virou um palco de teatro de mau gosto. A deputada Fabiana Bolsonaro protagonizou uma cena deplorável na ALESP ao pintar o corpo de preto para atacar a deputada Erika Hilton. O objetivo não foi o debate de ideias, mas a busca desenfreada pelo 'clipe' perfeito para as redes sociais. É a política do algoritmo passando por cima da dignidade humana. O eleitor precisa abrir o olho para o que é entrega real e o que é apenas 'lacraçãozinha' de tribuna. Enquanto deputados gastam tempo com pinturas e ofensas, o feminicídio cresce e o ambiente escolar apodrece. A política de São Paulo e do Brasil não pode ser refém de quem prioriza o próprio bolso em vez da vida das pessoas. 

O que choca não é apenas a performance, mas o silêncio ensurdecedor sobre a vida real. Recentemente, um policial matou a esposa com um abraço forçado e um tiro de misericórdia. Ele foi recebido com tapinhas nas costas no batalhão. Cadê a indignação da deputada que se diz defensora das mulheres? No caso real de feminicídio, o microfone dela permaneceu desligado. A fúria só aparece quando gera visualização.

Essa cultura de descarte da mulher ecoa em lugares inesperados, como o Colégio São Domingos, em Perdizes. Alunos criaram um grupo para classificar colegas como 'estupráveis', usando figurinhas de criminosos sexuais. Esse é o resultado de uma sociedade onde figuras públicas tratam a misoginia como piada ou ferramenta de engajamento. Quando a política vira chacota, a base da pirâmide sofre as consequências.

O desespero do PL pela reeleição explica essa agressividade. A estratégia é clara: manter a militância radicalizada para garantir votos e verbas partidárias em outubro. Não se trata de convicção moral, mas de sobrevivência financeira. O sobrenome 'Bolsonaro' e a mudança de autodeclaração racial para 'parda' são peças de um tabuleiro focado no fundo eleitoral.

Nos bastidores, o mentor é o pai, Pastor Adilson Barroso. Ele é quem articula as alianças e empurrou a filha para a linha de frente do conservadorismo de fachada. A política, para esse clã, é um negócio de família onde a pauta ideológica serve apenas como produto de prateleira. O marketing da indignação é cuidadosamente calculado para render curtidas e dividendos.

A contradição de Fabiana atinge o ápice na questão das minorias. Ela afirma que uma mulher trans não pode representar mulheres por não sentir a 'dor feminina'. No entanto, a deputada integra a Comissão das Pessoas com Deficiência sem possuir qualquer deficiência. Pela lógica dela, ela também não deveria estar lá. O critério de 'lugar de fala' só é usado quando serve para excluir adversários.

A performance de black face foi uma ofensa dupla, minimizando a luta de negros e pessoas trans simultaneamente. É um deboche com a identidade alheia vindo de quem mudou a própria cor no registro eleitoral por conveniência financeira. Usar a dor do outro como escada para o poder é a forma mais baixa de fazer política. A máscara caiu, mas não foi a da performance.


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