Enquanto deputada faz performance na tribuna, casos reais de violência contra a mulher são ignorados por estratégia eleitoral
Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
| Deputada faz black face mas ignora violência
real contra a mulher. |
A política brasileira virou um palco de teatro de mau gosto. A deputada Fabiana Bolsonaro protagonizou uma cena deplorável na ALESP ao pintar o corpo de preto para atacar a deputada Erika Hilton. O objetivo não foi o debate de ideias, mas a busca desenfreada pelo 'clipe' perfeito para as redes sociais. É a política do algoritmo passando por cima da dignidade humana. O eleitor precisa abrir o olho para o que é entrega real e o que é apenas 'lacraçãozinha' de tribuna. Enquanto deputados gastam tempo com pinturas e ofensas, o feminicídio cresce e o ambiente escolar apodrece. A política de São Paulo e do Brasil não pode ser refém de quem prioriza o próprio bolso em vez da vida das pessoas.
O que choca
não é apenas a performance, mas o silêncio ensurdecedor sobre a vida real.
Recentemente, um policial matou a esposa com um abraço forçado e um tiro de
misericórdia. Ele foi recebido com tapinhas nas costas no batalhão. Cadê a
indignação da deputada que se diz defensora das mulheres? No caso real de
feminicídio, o microfone dela permaneceu desligado. A fúria só aparece quando
gera visualização.
Essa cultura
de descarte da mulher ecoa em lugares inesperados, como o Colégio São Domingos,
em Perdizes. Alunos criaram um grupo para classificar colegas como
'estupráveis', usando figurinhas de criminosos sexuais. Esse é o resultado de
uma sociedade onde figuras públicas tratam a misoginia como piada ou ferramenta
de engajamento. Quando a política vira chacota, a base da pirâmide sofre as
consequências.
O desespero
do PL pela reeleição explica essa agressividade. A estratégia é clara: manter a
militância radicalizada para garantir votos e verbas partidárias em outubro.
Não se trata de convicção moral, mas de sobrevivência financeira. O sobrenome
'Bolsonaro' e a mudança de autodeclaração racial para 'parda' são peças de um
tabuleiro focado no fundo eleitoral.
Nos
bastidores, o mentor é o pai, Pastor Adilson Barroso. Ele é quem articula as
alianças e empurrou a filha para a linha de frente do conservadorismo de
fachada. A política, para esse clã, é um negócio de família onde a pauta
ideológica serve apenas como produto de prateleira. O marketing da indignação é
cuidadosamente calculado para render curtidas e dividendos.
A
contradição de Fabiana atinge o ápice na questão das minorias. Ela afirma que
uma mulher trans não pode representar mulheres por não sentir a 'dor feminina'.
No entanto, a deputada integra a Comissão das Pessoas com Deficiência sem
possuir qualquer deficiência. Pela lógica dela, ela também não deveria estar
lá. O critério de 'lugar de fala' só é usado quando serve para excluir
adversários.
A performance de black face foi uma ofensa dupla, minimizando a luta de negros e pessoas trans simultaneamente. É um deboche com a identidade alheia vindo de quem mudou a própria cor no registro eleitoral por conveniência financeira. Usar a dor do outro como escada para o poder é a forma mais baixa de fazer política. A máscara caiu, mas não foi a da performance.




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