Com o Alerta Mulher Segura, o governo federal mostra que a vida das brasileiras não é moeda de troca, mas prioridade absoluta.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
| O Alerta Mulher Segura chegou pra botar agressor na linha. |
Olha, minha gente, o Brasil que a gente quer construir não combina com o sangue de mulher derramado todo santo dia por causa de machismo e omissão. O anúncio do programa Alerta Mulher Segura e do Pacto Brasil contra o Feminicídio é aquele tipo de notícia que dá um sopro de esperança, mas que também nos faz cobrar: por que demorou tanto para o Estado tratar a segurança das mulheres como tecnologia de ponta e não como nota de rodapé? O pacote tecnológico que o governo federal está oferecendo aos estados é um basta na política do 'depois a gente vê'.
Esse
monitoramento em tempo real é o que separa a vida da morte. Imagine a agonia de
uma mulher que tem uma medida protetiva que, na prática, é só um pedaço de
papel que o agressor ignora. Agora, com esse sistema, ela vai saber se o
sujeito está por perto e terá tempo de fugir ou acionar o botão do pânico. É
colocar a tecnologia a serviço de quem sempre foi invisível para o poder
público. É usar o satélite para proteger a Maria, a Raimunda e a Clarice, e não
só para monitorar carga de caminhão.
E tem mais:
o mutirão para cumprir mais de mil mandados de prisão é um recado direto para a
turma que acha que a lei não pega. A impunidade é o maior combustível da
violência de gênero. Ver o Ministério da Justiça coordenando essa força-tarefa
é ver o Estado assumindo sua responsabilidade de tirar o criminoso da rua antes
que ele vire estatística de feminicídio. Chega de passar pano para 'pai de
família' que bate em mulher e se esconde atrás de discurso moralista.
A gente sabe que a ferida da violência não é só na pele, é na alma. Por isso, os 4,7 milhões de atendimentos psicológicos previstos até 2026 e as Salas Lilás Itinerantes são vitais. No nosso Maranhão e em todo o interior do país, a mulher vítima muitas vezes não tem nem onde chorar, que dirá onde ser atendida com dignidade. Trazer a saúde mental para o centro dessa luta é reconhecer que a sobrevivente precisa de ferramentas para reconstruir sua vida com autonomia e cabeça erguida.
Mas não vamos nos enganar: o governo federal deu as ferramentas, mas a bola agora está com os governadores e prefeitos. Não adianta o presidente Lula assinar o pacto se, na ponta, a delegacia estiver fechada no final de semana ou se a viatura não tiver gasolina. A pergunta que fica para os nossos gestores locais é: vocês vão aderir com vontade ou vão continuar fingindo que a violência contra a mulher não é problema de vocês? Precisamos de fiscalização rigorosa sobre a implementação desses recursos nos municípios para garantir que o 'Alerta' chegue onde o grito de socorro é mais alto.




0 comentários:
Postar um comentário