O episódio de violência policial em escola do Rio revela o abismo entre a segurança pública e o direito à integridade dos jovens.
| A covardia fardada que alguns ainda insistem em aplaudir. |
É estarrecedor
que a direção de uma escola estadual, ao ser confrontada com denúncias graves
de assédio contra um professor, escolha acionar a força policial em vez de
acolher as vítimas. A polícia foi chamada não para garantir a segurança, mas
para silenciar o grito legítimo de jovens que buscavam justiça. O resultado foi
uma cena de covardia explícita: um homem armado e treinado investindo contra
adolescentes desarmados. A tentativa de apreender os celulares dos alunos para
impedir a filmagem é a prova cabal de que o agressor tinha plena consciência da
própria irregularidade.
Esse
comportamento não nasce no vácuo. Ele é alimentado por uma estética de 'militar
brabão', herança de uma ficção que glorifica a truculência e transforma a
estupidez em virtude. Vivemos em uma sociedade que, doentiamente, aplaude o
soco no rosto de um jovem sob o pretexto da 'ordem'. Nos comentários das redes
sociais, uma parcela da população — majoritariamente masculina — busca
justificar o injustificável, questionando o que os alunos teriam feito para
'merecer' a agressão. Não há 'mas' que sustente a violência de um agente do
Estado contra uma criança ou adolescente sob sua custódia.
O que vemos
é a emulação de um heroísmo torto, onde a autoridade só é exercida contra quem
é fisicamente inferior. Esse policial que se sente potente ao acuar uma
estudante é o mesmo que, em situações de real perigo e estresse, muitas vezes
perde o controle por falta de formação adequada. A segurança pública brasileira
precisa, com urgência, de uma reforma que priorize a mediação de conflitos e o
respeito aos direitos humanos, especialmente dentro de instituições de ensino
que deveriam ser santuários de cidadania.
Não podemos
normalizar o absurdo. Aqueles que hoje defendem a ação desse policial
certamente clamariam por justiça se as vítimas fossem seus próprios filhos. A
proteção e o bem-estar dos vulneráveis são pilares de qualquer democracia
funcional, e o Estado não pode ser o primeiro a violar esses princípios.
Enquanto a violência for celebrada como método de controle social,
continuaremos falhando com as próximas gerações. Exigimos punição rigorosa e
uma mudança estrutural na forma como nossas polícias enxergam a juventude
periférica e estudantil.




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